quinta-feira, 8 de novembro de 2007

>>Nanquim raspado







Você já pensou em fazer um desenho por subtração? Em vez de adicionar pigmento ao papel, retirar matéria do suporte do desenho? Se não, você está prestes a descobrir uma técnica que permite este procedimento e inverte a lógica do ato de desenhar. Não, não é gravura, é desenho!

O nanquim raspado se baseia na preparação de uma folha de papel, formado de duas camadas de pigmento de diferentes naturezas. A técnica remonta a prática do esgrafito muito usada na arquitetura portuguesa, séculos atrás. Uma maneira de se fazer motivos ornamentais nas paredes e muros, o esgrafito foi importado da Itália no século XV e incorporada e adaptada aos moldes portugueses de construção e decoração.




ESGRAFITO


amostra da técnica do esgrafito.
Legenda grega, datada da transição do sec. XVI para o sec. XVII.
Núcleo Museológico no Convento de S. Domingos



Vergílio Correia, em 1937, em sua obra, Etnografia Artística Portuguesa, aborda esta prática. Entre as pp. 21 e 26 ele diz:
“Por todas as vilas e cidades do Alentejo os "esgrafitos" dominam o alto das fachadas, avivam as esquinas das casas, acompanham a volta das janelas, abraçam em várias ordens de fiadas o fuste das torres sineiras (...) e embelezam ainda mais, se é possível, as chaminés”.



Nesta região, o esgrafito era feito a partir de um molde vazado em uma placa de metal. O artista então colocava o molde sobre a parede de pintada e raspava a cal por meio de uma colher. Sendo assim, a cor cinzenta ou avermelhada do barro ficava descoberta, constituindo o fundo, a outra cor do desenho.



PROCEDIMENTOS
Para que possamos conseguir fazer o nanquim raspado, precisamos criar duas camadas sobre o papel, uma gordurosa e a outra aquosa,à base de água. O procedimento consiste exatamente na raspagem da primeira camada e a aparição da segunda.
Na verdade, o procedimento é bastante simples e os materiais são os mais fáceis de serem encontrados: giz de cera e tinta nanquim, mas deve ser cuidadosamente preparado para que alcancemos a qualidade desta combinação química e conseqüentemente as condições ideais para a raspagem.

PASSO A PASSO


1
pegue o papel, de preferência de alta gramatura, e cubra sua superfície com o giz de cera, da cor de sua preferência.
O giz deve ser bem precisamente pressionado, e cobrir o papel completamente, não deixando nenhuma brecha para o contato direto entre o nanquim e papel.





2
molhe o pincel na tinta nanquim e passe uma camada sobre a folha colorida com o giz. A reação do giz de cera ao nanquim é de repelência, já que, naturalmente, consistências gordurosas não se misturam com soluções aquosas. É como se o nanquim se retesse e acumulasse na superfície, empossando um pouco e não conseguindo cobrir todo o papel de uma vez. Mas está tudo certo, passemos apenas uma camada e deixemos ela secar.





3
depois de seca passemos a segunda camada sobre a folha e esperemos secar.


4
verificar se não há buracos no papel, ou seja, se ele foi completamente coberto pela tinta nanquim.
Logo após a secagem completa, o papel está pronto para ser desenhado, melhor dizendo, raspado. Basta se apropriar de uma ponta seca e mãos à obra!







Um comentário:

Não sei! disse...

Muito Legal os desenhos com tinta Nankin !